quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Conto número 3: Paula, uma visão antropofágica

"Tão difícil quanto praticar o ato do canibalismo em uma era de pessoas tão preocupadas com os direitos humanos, é o ato de tentar descrever alguém. Paula é uma das minhas restrições canibalísticas, e não vejo forma melhor de descrevê-la, do que deixando isso bem claro. 

Quando a conheci, estava a procura de uma vitima para o meu ritual de todas as quartas feiras, e lá estava ela, sentada em um ponto de ônibus comendo um cachorro-quente pouco apetitoso (mas que segundo ela, era ótimo). Me aproximei, tentando deixar claro meu tom ameaçador, porém, logo depois percebi que ela tinha no ouvido fazendo um barulho estrondoso, dizem que se chamam "fones de ouvido ao som de rock". 
Continuei encarando-a por longos 12 minutos, até que ela pareceu notar minha presença. Devo dizer que ela é realmente muito desligada. Ela me encarou de volta e perguntou porque eu estava olhando para ela. Vejam só! Além de tudo, é chata! Ao ver que a boca dela estava suja, logo decidi que ela não era pra ser o prato principal do meu cardápio. 

Passei algum tempo sem ter resposta para o que ela dizia, por isso decidi não falar nada, mas parece que ela ao contrário de me achar ameaçador, me achou simpático, e decidiu puxar assunto comigo, que menina louca... Mas acabei cedendo. Passamos algumas horas conversando. Contei para ela que pensava em matá-la para o meu ritual, mas ela apenas riu da minha cara sarcasticamente e me comprou um milk shake, que louca."



Texto apresentado a Professora Liz, da disciplina de língua portuguesa do IFBA, na aula de redação. 


    Bem, um pouco cômico, não é? A ideia principal era fazer uma autobiografia, e haviam duas propostas, uma em minha própria perspectiva, e outra, na perspectiva de alguém. Decidi pela segunda opção, e uma onda literária fluiu em mim, assim criando essa história. Nada melhor do que falar de você mesmo implicitamente no corpo de um canibal não existente.

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